Ainda temos histórias para contar do acampamento que fizemos no cume do Pico Itapiroca, no último feriadão de 7 de setembro de 2010. Aproveitando as dicas sobre alimentação passadas pelo Jeep, lembrei de contar como foram algumas de nossas refeições e nossa experiência na cozinha de campanha. Com as dicas do Silvio da Território do Palladium, adquirimos dois fogareiros, um modelo Apolo, com o suporte fixo, e um Guepardo, dobrável, que fica bem pequeno, ocupa menos espaço e é mais leve, porém o primeiro suporta panelas maiores e dispões também de chama mais forte. Dimensionamos para 4 refeições quentes, para 4 a 6 pessoas, 4 cartuchos de gás de 230g. Adquirimos duas panelas e uma leiteira, o suficiente para cozinhar dois pratos quentes ao mesmo tempo e ferver água ou leite no café da manhã.
Nosso primeiro obstáculo para iniciar a prática culinária foi o vento fortíssimo no cume, que atrapalharia a eficiência das chamas e, consequentemente, dissipando calor, além de gastar mais gás. Localizamos no caminho para o cume principal uma clareira no meio da vegetação mais alta onde naturalmente protegia de boa parte do vento. Melhoramos ainda mais o espaço colocando nossa lona multi-uso como uma parede do lado de onde vinha o vento, filtrando praticamente todo o resto de brisa. Ganhamos uma clareira de quase 3 metros para cozinhar com certo conforto, iluminada pelas lanternas de cabeça penduradas nos galhos mais altos. Nosso cardápio original seria mais leve, mas como tínhamos o problema gerado pelo peso dos mantimentos, precisávamos nos desfazer do máximo possível. Além disso, também já existia a possibilidade de encurtarmos o tempo planejado para estadia, e dessa forma optamos por antecipar o cardápio do almoço de domingo para aquele sábado à noite. Era dia 04 de setembro 2010, em torno das 20h30.

Enquanto estes dois pratos quentes cozinhavam, passei para o Fôdo e o Jeep a tarefa de montar a salada de legumes. Foram separando em porções diretamente nos pratos. Lembrete: é importante levar prato e caneca, plástico de preferência, pois são leves e não quebram. Enquanto eu preparava a farinha de trigo numa das canecas, umedecendo com água, eles foram separando as porções com os legumes: batata, cenoura e brócolis, todos já cozidos ao dente em casa. Escorri a água extra da farinha, confesso que cedo demais, pois quanto mais tempo ficar de molho, mais a farinha fica macia, então passei aos dois para misturarem com os legumes. Durante este tempo, o Sid revirava a minha barraca atrás da outra caixinha de feijão, que acabamos encontrando só no outro dia, escondido no fundo da minha mochila. Acabamos ficando com a porção de uma caixinha só, mas foi pra lá de suficiente devido a fartura dos outros itens.

Optamos por não fazer chá ou café à noite, ficamos na água mesmo, mas racionando com cuidado pois ainda tínhamos o café da manhã e a decida no dia seguinte, e a bica d'água ficava razoavelmente distante e ninguém estava com ânimo para buscar para reposição. Apesar das circunstâncias , a grande fome que estávamos pelo esforço do dia, não é recomendado um cardápio tão rico e farto assim durante à noite, principalmente se o estoque de água estiver baixo. Durante a digestão, é certo que a sede vai bater. Terminamos o jantar e recolhemos todos os apetrechos retornando para o acampamento. A essa altura o plano de jogar truco foi para o espaço, o negócio era dormir mesmo e ver como ficaria para o dia seguinte, continuar ou retornar.
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Depois desse maravilhoso café da manhã, e consumida boa parte dos mantimentos que trouxemos, definimos que voltaríamos naquele dia mesmo para casa, pois o tempo estava fechando, o suficiente para não nos deixar coroar bem possíveis conquistas como o Caratuva, o Tucúm e o Camapuã. Ficaram para um próximo ataque. Aproveitem as dicas que deixamos no blog sobre alimentação e planejem bem esta parte da aventura, principalmente quando o trekking passar de um dia.
Foto 1: Gandalf 'organizando' a cozinha
Foto 2: Gandalf temperando o feijão
Foto 3: Fôdo preparando o fogareiro no café da manhã
abraço.
Gandalf
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